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A cada país é atribuída uma ''nota'' de zero a
dez. Quanto maior a percepção de corrupção
associada a um país, menor é sua ''nota'' e mais baixa sua
posição no ranking. No ranking de 1997 (o terceiro que é
feito), o país menos corrupto é a Dinamarca (''nota'' 9,94);
a Nova Zelândia, primeira nos dois anos anteriores, ficou com o quarto
lugar (9,23).
No outro extremo, o país mais corrupto é a Nigéria
(''nota'' 1,76, o que lhe dá, pelo terceiro ano consecutivo, o último
lugar). Seguem-se Bolívia, Colômbia, Rússia capitalista,
Paquistão, México etc.
O Brasil ocupa o 36º posto, com ''nota'' 3,56, praticamente repetindo
o desempenho dos últimos anos.
Embora cada fonte empregue metodologia própria, todos os levantamentos
são realizados junto aos executivos de empresas que realizam negócios
internacionais. Eles procuram responder a perguntas a respeito da vulnerabilidade
à corrupção das estruturas governamentais dos países
com que negociam.
Desse modo, é evidente que o ranking tende a favorecer os países
exportadores e desfavorecer os importadores.
Uma reflexão que caberia fazer é a seguinte: como não
existe corrompido sem corruptor, uma ''nota'' muito baixa atribuída
a países importadores só pode ter sido atingida porque muitos
países exportadores agiram ''corruptivamente''. Logo, essa ''nota''
baixa poderia ser mais ou menos liberalmente distribuída pelos países
desenvolvidos, o que reduziria suas próprias ''notas''.
Outra coisa que o ranking da Transparência Internacional não
mede é a corrupção ''interna'' dos países,
ou seja, o grau em que práticas ilícitas intervêm nas
relações econômicas e sociais. Para os brasileiros
(como para qualquer outro povo), é óbvio que esse é
um tema muito mais importante. Sem pretender minimizar os prejuízos
decorrentes da vulnerabilidade ao corruptor externo, são as práticas
internas de corrupção as que mais interferem na vida cotidiana.
Tais comportamentos não dizem respeito exclusivo à relação
entre o público e o privado _embora, em termos de prejuízos
econômicos, correspondam à parte do leão. Eles condicionam
também as relações privadas.
Há inteiros segmentos de atividades privadas (toda empresa sabe quais são) que se movem à base da corrupção, seja de clientes, seja de fornecedores. Em certos casos, a troca de propinas é aceita institucionalmente. Quem paga por isso é o público, pois o custo da corrupção se reflete necessariamente nos preços dos produtos e serviços.
A tendência dominante é considerar que os atos de corrupção decorreriam de reações dos ofertantes a exigências dos compradores. Ou seja, uma simples questão de lógica econômica, em que a moral deixa de ter papel. O corruptor resulta como que inocentado.
Mas o corruptor é tão corrupto quanto o corrompido. Se levarmos em conta a força do poder econômico e sua maior capacidade de realizar escolhas, poderíamos dizer que é ainda mais corrupto.
Pensar conforme a ''lógica econômica'' é, decerto, navegar a favor da corrente dominante em nossa sociedade. Isso, porém, não absolve da renúncia à obediência aos princípios éticos e ao comportamento moral, sem a qual nenhuma sociedade pode sobreviver.