Retrato de Cláudio Abramo (1923-1987)
    por seu irmão, Lívio Abramo.
    Cláudio Abramo 
     
    CURRICULUM VITAE
     
    Apresentado por exigência burocrática ao Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, quando convidado a lá ministrar curso de aperfeiçoamento para estudantes de pós-graduação.
     
     
     
    Começou no jornalismo trabalhando na propaganda aliada durante a Segunda Guerra Mundial (Interamericana, Serviço de Imprensa). Ao mesmo tempo, sucessivamente, na Agência Meridional, na Agência Press Parga e breve período no Diário da Noite. Demitido por fazer greve... 
    1948 Convidado por Paulo Duarte e Sérgio Milliet para trabalhar no O Estado de S. Paulo. Sucessivamente repórter, repórter econômico, redator da seção Internacional. Começa no Estado escrevendo uma enorme reportagem sobre a situação da pesca (que serviria de apoio para a criação do Instituto Oceanográfico), fruto de um mês e meio de viagem pelo litoral. Escreve uma série de denúncia contra a política externa durante a guerra; faz campanha contra o jogo no Guarujá. Viaja intensamente pelo Brasil.
    1952 A convite do dr. Júlio de Mesquita Filho, assume a secretaria do Estado e começa, com Luiz Vieira de Carvalho Mesquita, Ruy Mesquita, Juca Mesquita e Júlio de Mesquita Neto, a reforma do jornal (redução do tamanho da página, transferência de sede, adoção de práticas modernas de controle da publicidade, controle de fechamento da redação, controle da produção etc.). Data dessa época a abreviação do limite de fechamento da redação, que passou das três horas da manhã para a meia-noite.
    Começa a cooptação de universitários para o jornalismo, mandando buscar alunos que se destacaram nos cursos de filosofia, ciências sociais, matemática, física. Um deles é Vlado Herzog.
    A reforma se completa no início da década de 60. Nessa altura, alguns grandes nomes do jornalismo atual trabalhavam na Redação, como repórteres ou redatores.
    1964 Passa quase o ano inteiro desempregado, por discriminação política. É convidado, nos últimos meses, para fazer análises da Folha de S. Paulo por Octávio Frias de Oliveira. No fim do ano, ou início de 1965, entra na Folha como chefe de produção.
    1967 Assume a secretaria-geral da Folha.
    1972 Nomeado diretor da Redação e afastado...
    1975 Preso pelo Doi-Codi, com sua mulher, Radhá Abramo, por subversão. Em meados do ano, retoma o trabalho efetivo no jornal; cria-se a Página Três, com colaborações de intelectuais e jornalistas.
    1976 Chamado de volta à direção efetiva da Redação, completa a grande reforma do jornal, iniciada discretamente em meados de 75, juntamente com Octávio Frias de Oliveira e Otavio Frias Filho.
    1977 Afastado da direção da Redação por imposição do ministro do Exército, Sílvio Frota. 
    1979 Nomeado membro do Conselho Editorial da Folha.   
    Demite-se do jornal durante a greve dos jornalistas. Trabalha, como co-diretor, no Jornal da República, de Mino Carta, que vive cinco meses e falece.
    1980 Chamado de novo por Octávio Frias de Oliveira, vai para Londres como correspondente da Folha; em 1983 muda-se para Paris, na mesma condição.
    1984 Começa a escrever a coluna “São Paulo”, da Página Dois da Folha.
    Viajou muitíssimo, escreveu muitíssimo, assinando o nome ou não assinando, ou assinando com pseudônimo.
    Recebeu duas medalhas na vida: uma do governo italiano, pelo traba1ho clandestino na resistência italiana durante a guerra; outra do governo da República Democrática Popular da Polônia, em reconhecimento ao apoio dado à luta antinazista dos poloneses. (1)
    Não é membro de academias ou clubes. Fez o curso primário e os cursos de madureza do ginásio e do colégio, estes depois de maduro. Não tem curso universitário. Fala corretamente cinco línguas. Escreve em português e inglês, corretamente. Nunca publicou livros. Nunca fez poesias. Nunca escreveu ficção, nem a jornalística. Dirigiu, marginalmente, a Folha Socialista, jornal do Partido Socialista Brasileiro, do qual foi membro alguns anos; e deu o nome, como diretor-responsável, sem nele trabalhar, ao Portugal Democrático, da resistência antifascista portuguesa.
    Nunca entrevistou atrizes de cinema, cantores, Jânio Quadros, o papa João Paulo II ou Winston Churchill...
    Nunca ocupou cargos públicos. (2) 
    Plantou muitas árvores. Tem três fi1hos e sete netos. (3)
    (1) Em 1986, Cláudio recebeu a medalha do Mérito do Trabalho. (2) Exceto breve período em que assessorou Carvalho Pinto no Ministério da Fazenda,  no governo João Goulart. (3) E três bisnetos, nascidos após a sua morte.
     
    Leia Trecho 
    Fundo: garrancho de Cláudio, recuperado
    por Odon Pereira da Silva